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terça-feira, 11 de maio de 2010

Parte 5

Subi correndo, com lágrimas nos olhos, batendo a porta do quarto e me jogando na cama. Agarrei meu travesseiro, chorando em cima dele. Fiquei por um longo tempo, somente chorando e pensando em como minha mãe estava sendo injusta, até que ela bateu na porta.
- Posso entrar filha?
- NÃO!
- Por que, querida? E... Porque tem um cachorro na nossa varanda?
- É que... eu achei ele na rua, talvez ele sirva para fazer companhia, já que tem um a menos em casa sabe... - disse, irónica, e ainda chorando
Minha mãe entrou no quarto me olhando com uma cara de desgosto com o lindo cachorrinho em seu colo.
- Filha, deixe de chorar, para que tanto drama? Você poderá ver seu pai todos os finais de semana, e se quiser até nos dias de semana.
- Não é a mesma coisa, mãe. Porquê você teve que fazer isto comigo?
- A culpa não é somente minha, é de seu pai também. Mas eu tenho certeza de que só fizemos isso para o seu bem. Nós nunca faríamos algo que te prejudicasse minha flor, nunca! Tudo aqui nesta casa sempre girou em torno de você, para o seu bem! Nunca para o seu mal, e você sabe bem disso! Filha, eu e seu pai, a gente só... o que é isto na sua testa? - disse apontando para o galo roxo que Eduarda me dera de presente nos carrinhos bate-bate
- Bati enquanto estava no parque. Mas não mude de assunto mãe.
- Minha filha, isso está feio. Venha, vamos lá em baixo colocar um gelo nesse galo.
Eu não estava sentindo muita dor, na verdade. Caminhei até o espelho e vi que avia um grande roxo.
- Minha nossa senhora. - Disse largando Rodolfo em cima da cama e descendo correndo para a cozinha.
- Calma Karine, quando casa sara. - Eu não entendo essa mania que os adultos tem de dizer que quando casar tudo sara. Bem, de uma coisa eu tenho certeza, se for pra sarar só no casamento, vai demorar muito.
- E quando se separa, sara também? Se for assim você está curada de todos os machucados possíveis? - disse, sendo irónica mais uma vez e achando ter pego um pouco pesado demais.
- Não, quando se separa a única coisa que se ganha é a filha adolescente desesperada. - disse minha mãe, nunca perdendo seu senso de humor.
- Mãe, eu já disse. Eu não sou uma adolescente, sou uma pré-adolescente.
- Ah, mas é quase uma adolescente. - Isso era outra coisa que eu detesto nos adultos. Eles nunca sabem em que fase seus filhos estão, sempre que tentam adivinhar, erram.
Minha mãe estava me deixando cada vez mais irritada. Primeiro meu pai vai embora, depois ela acha que sabe o que é melhor pra mim e agora está dando uma de mãe-melhor amiga. Ela não fazia ideia de como aquilo me incomodava.
- Mãe, acho melhor eu ir me deitar, não estou muito bem.
- Tudo bem, qualquer coisa é só me chama.
- Eu sei. - disse, subindo para meu quarto com Rodolfo no colo
Me deitei, abraçando aquele lindo cãozinho. Comecei a falar com ele, e de um modo estranho parecia que ele estava prestando atenção. Resolvi contar minha história, de onde eu vim, do que eu gosto, do que eu não gosto, de quem eu gosto, de quem eu não gosto... enfim, de tudo. Fazia tempo que eu não me sentia assim, eu podia estar falando com um cachorro mas mesmo assim sentia como se eu finalmente tive-se uma amiga com quem conversar. Nunca tive problemas com fazer amizade, sempre fui muito social mas, nunca consegui ter uma melhor amiga que eu pude-se contar tudo sobre mim, contar sobre meus problemas, medos.. e tudo mais. Também nunca quis, mas quando queria, nunca conseguia. Quando estava terminando de falar sobre minha banda preferida, ouvi meu estômago gritar, desci e pedi para minha mãe, que estava olhando Disney na TV, para fazer uma janta rápida para mim já que eu havia chegado depois da janta em casa. Minha mãe, na pura má vontade, levantou do sofá e caminhou até a cozinha. Sentei-me no sofá rosa pink, que ela comprara fim de semana passado, e logo tocou o telefone, corri para atender.
- Alô?
- Alô? Karine? - No momento que ouvi a tal voz, meu coração disparou. Era uma voz doce como açúcar, que me fez quase flutuar.
- Victor?
- Como você sabia que era eu?
- Nossa, quanto tempo. - Victor foi meu colega na 4ª série, foi com ele que eu dei meu primeiro beijo. Por 2 longos anos eu fui colega dele e ele sempre foi como um irmão pra mim, mas no fim da 6ª série ele se mudou pro Acre e nunca mais ouvi falar dele.
- Pois é. Adivinhe! Estou morando em Goiás de novo.
- Sério? Que legal.
- Liguei pra avisar isso e pra te convidar pra ir comigo no cinema amanhã. Estou louco de saudades.
- Ah, também estou com muita saudades. - Eu realmente estava com saudades dele. - Só não sei se vou poder sair amanhã pois já sai hoje, talvez minha mãe não deixe. Espere um minuto, ok?
- Ok.
Larguei o telefone, fora do gancho, e sai correndo para a cozinha para pedir para minha mãe se eu poderia sair com meu querido amigo que acabara de voltar para sua cidade natal, Victor. Sua resposta foi de imediato.
- Mas é claro que pode.
- Ah, muito obrigada mãe. - Sai pulando da cozinha para voltar ao telefone e dar a boa noticia aos meu querido e velho amigo.
- Minha mãe deixou.
- Que bom. Então nos vemos amanhã no shopping as 14:30, tudo bem pra você?
- Claro, nos vemos amanhã.
- Tchau Kat. Beijos. - Havia séculos que ninguém me chamara assim, cheguei a ficar um pouco boba.
- Tchau Vitinho.
Ele desligou e eu continuei com o telefone na orelha, imóvel, olhando pro nada. Até que minha mãe entrou na sala e eu rapidamente desliguei.

2 comentários:

Cristina disse...

Huau! Vcs estão se superando a cada etapa.

Helena disse...

Estou atenta, continuem ... está ótimo. bjs

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